domingo, 5 de agosto de 2012

OS BONIFRATES

Certas pessoas nas mãos dos líderes políticos são meros títeres.(Governante sem posições próprias, que representa os interesses de outrem mais forte.)
São autenticas marionetes, ou seja, verdadeiros bonifrates( fantoches). São advogados sem outorga, políticos sem mandato, oradores sem tribuna, delegados sem delegações, representantes sem representação, que invariavelmente almejam e se determinam ser mais realistas que o rei, servir para servir-se oferecer mais do que lhes for pedido, intitular-se generais, comandantes ou coordenadores sendo apenas meros soldados servis, genuflexos e subalternos a prestar-se ao papel de instrumentos maleáveis de manipulação a serviço de interesses, na sua maioria, não republicanos do seu superior.
É surreal e bizarra a aparição desses personagens risíveis nos programas radiofônicos e televisivos, nas revistas e jornais locais, nos quais os tais falastrões boquirrotos( indiscretos), sem autorização dos seus chefes, porém com suas aprovações, ficam a deitar falação acerca de projetos futuros, de vaticínios, de antevisões de panoramas, cenários e paisagens políticas, elaboram pareceres jurídicos públicos sobre inelegibilidade de alguém ao sabor dos interesses obscuros sem nenhum conhecimento técnico- jurídico e sequer, da sua alçada profissional. Torna-se ainda mais hilário quando se intitulam coordenadores sem que seu tutor, oráculo ou líder tenha publicamente reconhecido tal posto para quem assumiu, digamos... a “patente”, ou que sequer possua no seu grupo de acólitos( assistentes) alguém encarregado de cometer esse encargo.
A dignidade acima de tudo! Não podemos e não devemos perder a capacidade de nos indignar. Afinal, onde reside a ética, a postura decente e coerente, enfim, a compostura? Melancólico quando detectamos as personalidades volúveis que já passaram de mãos em mãos com a mesmíssima sujeição e idêntico servilismo a reeditar as práticas que os coloca de bem com o mandatário de plantão mesmo que este seja um pigmeu autoritário.
O exercício do poder personalista, autocrático, ilegítimo que vivenciamos, instiga a institucionalização da bajulação oficial que está se tornando norma de conduta para alguns membros das escalas subalternas de poder. O problema maior é que agora, na ânsia de agradar ao indireto, alguns aloprados estão ultrapassando os limites do bom senso e da razoabilidade, da racionalidade e até mesmo do amor próprio pelo contundente ridículo.
Abriu-se a chaga da bajulação ilimitada após a chegada do interventor. “Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida” afirma a Bíblia, no Livro dos Salmos. Os aduladores do momento são fiéis protetores que seguem à risca os fracassos e os desmandos de tal autoridade, ignorando a democracia e a sensibilidade à crítica. Uma adulação que, não tomada como arte da persuasão ou artifício para as negociações de caráter ético, passa a maquiar a personalidade do déspota do povo, falsificando a autenticidade dos seus discursos e pronunciamentos, das idéias e das verdadeiras ações deste em relação aos seus subalternos e aos demais.
Platão, no seu diálogo Górgias, destacou que a Retórica é apenas uma parte da adulação, isto é, um simulacro de uma parte da política. Mentiras são vertidas em profusão como se verdades fossem. Mas, assim como a vida, a ingenuidade, a pureza ou os interesses da adulação têm seus limites, têm seus dias contados! Acredita-se que só o pacto com a verdade é mais honrada e mais elevada que a amizade: “Amicus Platô, amicus Sócrates, sed amica veritas” (Aristóteles) – Amigo Platão, amigo Sócrates, mas mais amiga é a verdade. Ninguém é tão forte que possa resistir aos apelos da verdade para si e para os outros, sobretudo no mundo político. Vejamos o que verdadeiramente dirá o povo ao emitir brevemente sua sentença através das urnas.
Certo filósofo dissera certa vez... “O limite da vida é a morte, o da bajulação é a sensatez, o amor próprio e o compromisso com a verdade”.
 
Carlos Aquino
*Advogado militante, professor da UFPB, ex Juiz eleitoral do TRE/PB, ex Procurador Geral do Município de João Pessoa, ex Secretário adjunto da Justiça do Estado da Paraíba, Membro da Comissão Nacional de Previdência e Seguridade Social do Conselho Federal da OAB.

Nenhum comentário:

Postar um comentário